Jefferson Allan 143

Laura desejava muito possuir uma boneca, mas os pais eram tão pobres que não podiam satisfazer o seu sonho. Conversando com o pai certa noite, ela lhe falou quase suplicante:
– Papai, como gostaria de ter uma boneca para brincar com ela!

O pai ficou triste por não poder atendê-la no seu desejo tão natural.
A mãe, que ouvia tudo, resolveu fazer-lhe uma bonequinha de pano.
Com uma meia fez o corpo da boneca; com tecido xadrez coseu uma saia rodada.
Bordou os olhinhos e uma boca bem risonha com linhas coloridas; e com lã amarela fez o cabelo, que foi repartido em duas tranças, rematadas com lacinhos de fita.
A bonequinha ficou uma graça!
O pai, entusiasmado, entregou-a à filhinha.
Laura, porém ao vê-la
pôs-se a chorar e tomada de revolta foi dizendo:
– Não quero boneca de trapos…
O que eu quero é uma boneca de verdade!

E assim falando, ela foi desmanchando, zangada, a pobre bonequinha, até reduzi-la a um monte de panos.
Os pais, desapontados e aborrecidos, decidiram que a melhor correção haveria de vir por si mesma.
A garota foi se deitar ainda soluçando, mas adormeceu logo.
O sono foi agitado, porém, enquanto dormia, teve um sonho muito confuso e esquisito: Ela via a cesta de costura da mãe abrir-se e dela saírem linhas e a agulha falando:
– Que garota malcriada…
Quanta ingratidão – disse a linha.
– É verdade – acrescentou a agulha.
– Quase costurei aquela boca falante!
E as duas foram refazendo a bonequinha.
De repente, ela criou vida e foi na direção de Laura, falando atenciosamente:
– Vamos passear no reino das bonecas de pano?
Venha comigo, eu a levarei.

Chegando lá, viram as bonecas arrumando suas roupas em caixas.
– Por que elas estão arrumando suas malas?
Vão viajar? Indagou Laura.
– É que elas já conseguiram suas donas.
Amanhã a fada costureira terá de costurar novas bonequinhas que, certamente, serão solicitadas…

Surpreendida, Laura viu que a fada era a sua própria mãe! Depois,
virando-se para a bonequinha cicerone, viu-a triste e perguntou:
– E você, não vai embora comigo?
– Não, você não me aceitou.
Voltarei já para a caixa de retalhos…
– Não! Não!
Eu a quero sim.
Venha comigo, por favor.
Quero ser sua dona!

Era tarde.
A bonequinha já estava desfeita em retalhos.
Desesperada, Laura começou a chorar e… acordou em lágrimas.
Mas que surpresa!
Lá se encontrava a bonequinha, deitada ao seu lado.
No dia seguinte, a mãe lhe contou que, enquanto ela dormia, pacientemente recosturou a bonequinha.
Depois, passando carinhosamente sua mão nos cabelos da filha, disse:
– Não podemos desejar coisas além da nossa capacidade.
Temos de nos acomodar àquilo que é simples, mas que também representa amor.

(Desconheço a Autoria)

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga