Um passarinho acabara de romper a casca e nascer.
Ele viveu por um certo período no ninho, sendo diariamente cuidado pela sua mãe.

Após algum tempo, ele começou a andar ao redor do ninho e foi reconhecendo o local onde viveu até o presente momento.

Depois disso, começou a contemplar o céu…
Viu sua mãe e outros pássaros cortando a abóbada celeste em esplendorosos voos, exercendo seu direito sagrado à liberdade.

Após essa observação, o passarinho decidiu que queria também viver no céu e aprender a voar como os outros pássaros, mas para isso ele deveria renunciar à proteção, ao conforto e à estabilidade do ninho.

Seu entusiasmo diante dos voos rasantes dos pássaros e de tão promissora liberdade lhe parecia muito mais animador do que o conforto do ninho.

Dessa forma, ele decidiu abdicar da proteção da casa que o prendia e arriscar seu primeiro bater de asas.
Começou a treinar suas asas e aos poucos foi ascendendo ao céu.

No entanto, assim que ele se deparava com a imensidão da montanha diante dele, o temor passava a tomar conta de todo seu corpo e ele não conseguia voar.

Olhava para baixo e percebia um assustador abismo que o conduziria inevitavelmente ao chão e a morte caso se aventurasse nos voos.

O passarinho teve bastante medo de enfrentar aquele incomensurável vazio, um espaço que parecia nada conter, apenas a possibilidade de uma queda que o levaria a morte.

Um pássaro mais antigo veio em sua assistência e disse: “Para conseguir voar e conquistar a liberdade do voo, é necessário enfrentar o abismo e se deixar cair.

Depois, você deve abrir as asas e voar.
Só assim você poderá aproveitar o céu, como todos de sua espécie um dia farão, e você só pode fazer isso sozinho”.

O passarinho finalmente tomou coragem e deixou-se cair no abismo.
Ele foi caindo, caindo…mas não conseguia abrir suas asas e voar, pois ficou paralisado pelo medo.

O pássaro mais velho o acompanhou e gritou: “Abra as asas e voe”.
O passarinho estava quase chegando ao chão.

Iria morrer caso não se libertasse do medo e não abrisse suas asas.
Quando o chão estava quase chegando, ele sentiu a morte chegando…abriu suas asas e, finalmente, deu um magnífico voo rasante…

Bateu suas asas e, de forma sublime, voou a grandes altitudes.
Agora possuía a liberdade de ir onde quisesse, de voar para qualquer lugar, além de uma visão panorâmica do alto. Tinha toda a infinidade do céu para existir.

Os seres humanos são como os pássaros.
Muitos ficam presos a proteção e ao conforto do ninho, o que equivale a ficarem aprisionados em seus desejos, apegos, conforto, dinheiro, crenças, etc.

Num certo momento, de tanto sofrerem a estagnação do ninho, eles sentem que precisam se libertar e passam a observar o céu, que representa a ascensão e libertação espiritual.

Mas para atingir esse propósito, eles precisam vencer seus medos mais básicos, superar suas dúvidas, soltar todo o passado que os prendem e deixar-se cair no abismo vazio, que aqui representa o desconhecido e a morte do ego nesse “nada”.

Mas esse vazio não é ausência de tudo, mas sim um espaço livre de qualquer obstáculo e que lhe dará liberdade para recomeçar em outro nível, além de uma visão privilegiada do mundo visto “do alto”, onde ele atinge o desprendimento das prisões do mundo objetivo.

Ele então deve fazer como o passarinho, deixar-se cair no abismo e sentir que vai morrer quando cair no chão, caso não abra suas asas e voe.

O chão aqui representa as referências de certo e errado, bom ou mau, sucesso ou fracasso, alto e baixo, tudo o que lhe dá uma noção de estar bem ou estar mal.

Mas se não existe o alto e o baixo, para onde podemos cair?
Se não existir o bom e o mau, só uma entrega sincera a Deus com fé, não há mais chão para o matar.

Assim, ao chegar no momento de uma aparente morte, esse é o momento em que ele renasce, se liberta, e pode viver no “céu” de sua consciência desperta.

(Autor: Hugo Lapa)

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga