
Nessa reflexão, vamos entender melhor a máxima que Jesus proferiu.
O mestre disse: “Os últimos serão os primeiros”.
De uma forma geral, essa frase tão simples significa que os últimos sobre a Terra serão os primeiros no reino divino.
Em outras palavras, quando nosso poder humano começa a declinar, quando começamos a perder e nos desapegar das coisas do mundo, quando tudo o que conhecemos de humano e mundano começa a decair, podemos fazer brotar dentro de nós uma essência espiritual. Assim, quanto maior é a diminuição da influência da presença e das muletas do mundo em nossa vida, maior é o nascimento do divino dentro de nós.
As três tentações de Jesus mostraram essa verdade: O demônio ofereceu a Jesus todos os reinos que existiam na Terra, caso Jesus passasse a adorar o demônio.
Essa é uma grande verdade espiritual, um magno princípio da vida: aquele que conquista o mundo inteiro acaba por perder a sua alma.
No entanto, como disse Jesus: “De que vale ao ser humano conquistar o mundo se ele pode com isso perder a sua alma?”.
Aqueles que desejam conquistar o mundo inteiro acabam por perder inevitavelmente a sua alma…
Por outro lado, aqueles que perdem o mundo inteiro, acabam por descobrir sua essência dentro de si mesmos.
Jesus estava consciente de que, caso aceitasse a oferta do demônio, isso lhe defraudaria a alma; lhe extrairia sua essência.
As tentações mostraram a Jesus que seria preciso abdicar de todo o poder terreno para que ele pudesse elevar-se à eternidade.
Esse princípio estava perfeitamente retratado no exemplo de vida do mestre.
Jesus não tinha nenhuma posse.
Ele não tinha carruagens, não tinha dinheiro, não tinha castelos, não tinha servos e nem obtinha coisa alguma… Levava uma vida extremamente simples, humilde, de servidão voluntária a Deus e à obra divina…
Por esse motivo, fez-se grande no reino dos céus.
Jesus se fez pequeno diante dos homens, para com isso conquistar a si mesmo e elevar-se espiritualmente.
Tudo o que lhe chegava de doação, ele dava aos menos favorecidos. Disse ao jovem rico para doar toda a sua fortuna aos pobres e o seguir, pois assim teria um tesouro no reino dos céus.
Disse que ninguém deveria acumular bens terrenos, pois são perecíveis e logo terminam, mas ensinou que todos devem aspirar aos bens imateriais, aos bens eternos, pois esses sim, são nossos para sempre.
Como parte de sua missão a fim de expressar o reino de Deus na Terra, Jesus ainda se deixou capturar pelos homens. Ele permitiu que os romanos o agredissem, colocassem uma coroa de espinhos sobre ele; aceitou ser chicoteado, carregou uma cruz perante todos e depois foi crucificado nessa mesma cruz que conduziu.
Não amaldiçoou seus algozes, como fazem as pessoas comuns, mas apenas disse “Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem”.
Antes de tudo, o mesmo povo que ele ensinou, curou e ajudou de várias formas, foi o povo que gritou para que fosse crucificado no lugar de Barrabás, o zelote malfeitor.
Naquele momento, Jesus permitiu ser colocado como alguém que se encontrava abaixo de um ladrão, de um assassino, mesmo sendo inocente e tendo apenas pregado o amor, a paz e a fraternidade.
Diante de tudo isso, fica claro que Jesus se colocou como o menor no reino dos homens, e justamente por isso, transformou-se num espírito de muita grandeza no plano espiritual.
Jesus entregou-se para ser morto e crucificado em nome do bem, da paz, do amor e de Deus, e por isso, renasceu no eterno e no divino.
Naquele momento ele foi o último no reino dos homens, e dessa forma passou a ser o primeiro no reino dos céus. “Os últimos serão os primeiros”.
O ser humano não segue os passos de Jesus. As pessoas costumam entrar em desespero diante de qualquer perda material.
Elas sofrem, caem, se esperneiam pela decadência de sua condição humana limitada e mal sabem que, a decadência humana representa a emergência do espiritual em nossa vida; a morte do humano suscita o nascimento do divino que habita em nosso interior.
Por isso Jesus deixou claro no Sermão da Montanha que “Os humildes serão elevados”.
Aqueles que não se deixam capturar pelas influências do mundo material, onde tudo é perecível, tudo é passageiro, tudo é efêmero, tudo decai e tudo passa…
Esses estão muito mais próximos de alcançar aquilo que é eterno e imortal.
O problema do ser humano é seu excessivo apego ao mundo transitório, e por isso ele sofre…
As pessoas preferem ficar com seu copinho de água quase vazio do que larga-lo para poder mergulhar no oceano.
Aqui o medo do desconhecido é o que mais impede o ser humano de ascender ao infinito, que é sua natureza verdadeira.
Mas essa é a grande provação da existência: soltar aquilo que é efêmero, aquilo que já “conhecemos”, aquilo que entendemos como “seguro” e nos entregar ao desconhecido, confiando que há algo que ainda desconhecemos.
Apesar de sentirmos nosso copinho de água quase vazio como algo seguro, ele nada tem de seguro, pois a água pode secar a qualquer momento; nossa casa pode ser destruída; nossa vida pode ser ceifada; nosso dinheiro pode ser perdido; nossa família pode morrer; nossos filhos podem nos abandonar, podemos perder tudo e nada nos sobrar no mundo…
E isso um dia vai ocorrer e já ocorre com muitas pessoas.
No entanto, a grande maioria prefere se agarrar fortemente ao que já foi e ficar sofrendo pelo que lhes falta…
Ao invés de largar todo o apego terreno, toda ilusão material e viver na plenitude de Deus.
A maioria das pessoas prefere continuar na posição do último sobre a Terra do que aderir ao reino dos céus, tão fixadas e iludidas que estão com as conquistas e fantasias do mundo transitório.
Portanto, nada é seguro, estável e certo nesse mundo, ao contrário.
Por isso devemos deixar o mundo morrer dentro de nós para que o infinito e a eternidade possa nascer.
Como disse acertadamente o sábio Mooji “O mundo dos homens precisa acabar, para que todos possam aspirar àquilo que é eterno”.
Essa é a essência da humildade…
Essa é a essência da máxima “Os últimos serão os primeiros”.
(Autor: Hugo Lapa)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga