– Metades Eternas
- Além da simpatia geral, determinada pelas semelhanças, há afeições particulares entre os Espíritos?
— Sim, como entre os homens.
Mas o liame que une os Espíritos é mais forte na ausência do corpo, porque não está mais exposto às vicissitudes das paixões.

- Há aversões entre os Espíritos?
— Não há aversões senão entre os Espíritos impuros, e são estes que excitam entre vós as inimizades e as dissensões. -
Dois seres que foram inimigos na Terra conservarão os seus ressentimentos no mundo dos Espíritos?
— Não; compreenderão que sua dissensão era estúpida e o motivo, pueril.
Apenas os Espíritos imperfeitos conservam uma espécie de animosidade, até que se purifiquem.
Se não foi senão um interesse material o que os separou, não pensarão mais nele por pouco desmaterializados que estejam.
Se não houver antipatia entre eles, o motivo da dissensão não mais existindo, podem rever-se com prazer.
Comentário de Kardec:
Da mesma maneira que dois escolares, chegando à idade da razão, reconhecem a puerilidade de suas brigas infantis e deixam de se malquerer.
- A lembrança das más ações que dois homens cometeram, um contra o outro, é obstáculo à sua simpatia?
— Sim, ela os leva a se distanciarem. -
Que sentimento experimentam, após a morte, aqueles a quem fizemos mal neste mundo?
— Se são bons, perdoam, de acordo com o vosso arrependimento.
Se são maus, podem conservar o ressentimento, e por vezes vos perseguir até numa outra existência.
Deus pode permiti-lo, como um castigo. -
As afeições dos Espíritos são suscetíveis de alteração?
— Não, porque eles não podem enganar-se, não usam mais a máscara sob a qual se ocultam os hipócritas, e é por isso que as suas afeições são inalteráveis, quando eles são puros.
O amor que os une é para eles fonte de uma suprema felicidade. -
A afeição que dois seres mantiveram na Terra prossegue sempre no mundo dos Espíritos?
— Sim, sem dúvida, se ela se baseia numa verdadeira simpatia: mas se as causas de ordem física tiverem maior influência que a simpatia, ela cessa com as causas.
As afeições, entre os Espíritos, são mais sólidas e mais duráveis que na Terra, porque não estão subordinadas ao capricho dos interesses materiais e do amor-próprio. -
As almas que se devem unir estão predestinadas a essa união desde a sua origem, e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, a sua metade, à qual algum dia se unirá fatalmente?
— Não; não existe união particular e fatal entre duas almas.
A união existe entre os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a ordem que ocupam, ou seja, de acordo com a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males humanos; da concórdia resulta felicidade completa. -
Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que certos Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?
—A expressão é inexata; se um Espírito fosse a metade de outro, quando separado estaria incompleto. -
Dois Espíritos perfeitamente simpáticos quando reunidos ficarão assim pela eternidade ou podem separar-se e unir-se a outros Espíritos?
— Todos os Espíritos são unidos entre si.
Falo dos que já atingiram a perfeição.
Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, já não tem a mesma simpatia pelos que deixou simples. -
Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro, ou essa simpatia é o resultado de uma afinidade perfeita?
— A simpatia que atrai um Espírito para outro é o resultado da perfeita concordância de suas tendências, de seus instintos; se um. devesse completar o outro, perderia a sua individualidade. -
A afinidade necessária para a simpatia perfeita consiste apenas na semelhança dos pensamentos e sentimentos, ou também na uniformidade dos conhecimentos adquiridos?
— Na igualdade dos graus de elevação, confiança e felicidade -
Os Espíritos que hoje não são simpáticos podem sê-lo mais tarde?
— Sim, todos o serão.
Assim, o Espírito que está numa determinada esfera inferior, quando se. aperfeiçoar, chegará à esfera em que se encontra o outro.
Seu encontro se realizará mais prontamente se o Espírito mais elevado, suportando mal as provas a que se submetera, tiver permanecido no mesmo estado.
303 – a) Dois Espíritos simpáticos podem deixar de sê-lo?
— Certamente, se um deles é preguiçoso.
Comentário de Kardec:
A teoria das metades eternas é uma imagem que representa a união de dois Espíritos simpáticos.
E uma expressão usada até mesmo na linguagem vulgar e que não deve ser tomada ao pé da letra.
Os Espíritos que dela se servem não pertencem à ordem mais elevada.
A esfera de suas idéias é necessariamente limitada, e exprimiram o seu pensamento pelos termos de que se teriam servido na vida corpórea é necessário rejeitar esta ideia de que dois Espíritos, criados um para o outro devem um dia fatalmente reunir-se na eternidade, após terem permanecido separados durante um lapso de tempo mais ou menos longo.
(O Livro dos Espíritos – por Allan Kardec – tradução de José Herculano Pires)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga