O espiritismo é ciência por definição.
Com isso, nada mais justo de que seus preceitos e suas crenças passem pelo crivo da razão e do método científico.
A fé raciocinada e a fé cega.

“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.”
(Allan Kardec)

Kardec desde quando iniciou seu estudo sobre os efeitos físicos causados pelo fenômeno das mesas girantes, utilizou o método científico para observar e analisar as ocorrências naturais percebidas.
Devido ao fato de seu tempo na escola de Pestalozzi, o professor Hippolyte sempre demonstrou metodologia séria e coerente em seus apontamentos.

Não podendo ser diferente com a doutrina espírita, Kardec utilizou-se da razão para analisar as mensagens recebidas pelos médiuns e cataloga-las de forma coerente e séria como demonstramos no artigo sobre como foi codificado o livro dos espíritos.

Através de um estudo sério, o espiritismo nos trás as respostas aos mais diversos temas da natureza humana e espiritual.
Porém, diferente de outros credos em geral, o espiritismo não nega a ciência em tempo algum.
Inclusive o espiritismo prega que se acaso a ciência chegar a uma conclusão comprovada negando algo que o espiritismo professa, que deve-se deixar de lado a doutrina e adotar-se a ciência.

O espiritismo é uma caminhada evolutiva que visa o conhecimento de si mesmo para a elevação moral do ser.
Com isso buscamos através do estudo sério e coerente das leis de Deus, ferramentas para aprimorarmos nossas virtudes e, assim, alcançar de forma mais rápida a perfeição moral.
Nesta caminhada é imprescindível que haja por parte de nós um entendimento material e espiritual de todas as coisas para nos auxiliar a alcançar níveis mais avançados de evolução.

A fé raciocinada proposta pelo espiritismo nos da a certeza de que não estamos dando um salto no escuro, tão pouco fazendo as coisas automaticamente.

Estamos entendendo e aplicando os ensinamentos trazidos pela espiritualidade de forma consciente e voluntária, baseada na nossa análise crítica da verdade.
A fé irracional, aquela criada pelo medo e pela aceitação pura e simples de dogmas não é inútil.

É um bom caminho inicial para a criatura que ainda tem uma certa rebeldia na alma que a impede de proceder de forma completamente raciocinada.
O indivíduo ainda na “infância espiritual” precisa de imagens fortes e de crenças impositivas para que se coloque num caminho reto no bem e nas atitudes mais corretas.

O espiritismo nos incentiva a fé lógica, pautada na razão e no entendimento científico dos fatos para posterior aplicação dos ditames de Deus em sua perfeita lei.
Através do estudo espírita a alma encarnada busca o conhecimento mais amplo das leis de Deus e de suas aplicações na seara do bem.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, explica-se que devemos ter fé sem precisar abandonar a razão, ou a certeza que tudo vai dar certo.

“A fé é verdadeira e sempre calma.
Confere a paciência que sabe esperar, porque estando apoiada na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao fim.”

O problema da fé irracional é que podemos cair em dogmas ilógicos e em crenças absurdas não por entendermos mas por nos coagirmos a acreditar nisto. Do ponto de vista religioso, a fé consiste na crença em dogmas especiais que distinguem as diferentes religiões e que se levados ao extremismo podem criar fanatismos negativos a evolução do espírito.

Evitar o fanatismo é apenas uma dos inúmeros benefícios da fé raciocinada, mas sem dúvidas é o mais notório deles.
Em tempos onde vemos pessoas matando em nome de Deus e perpetuando preconceitos em nome dEle, a falta da fé raciocinada se faz mister.

Casos atuais de seitas que matam para se “purificar” e de guerras santas apenas demonstram a necessidade da fé ser mais racional do que dogmática.

É importante destacar que a fé verdadeira e sincera é um longo processo de aprendizado dentro de várias encarnações.
Todos nós já tivemos vidas em que fomos fanáticos religiosos.
Como dissemos antes durante a infância espiritual, quando começamos a ir pelo caminho mais reto, ainda tropeçamos nas nossas imperfeições e nesses casos podemos ainda trazer a bagagem imperfeita de nossas atitudes egoístas e severas.

Nesta situação encontramo-nos em transição da fé, em estado inicial latente, ainda muito ingênua e necessitada de apelos visuais fortes e de dogmas. Conforme crescemos como espírito vamos necessitando de uma fé mais explicada e menos aceitada por pura e simplesmente ser. Neste momento o espírito passa a analisar pelo crivo da razão, um dom dado por Deus, para que evite cair em fanatismos de fé desregulada.
“Tudo é possível àquele que tem fé”, ensinou Jesus, e com este ensinamento entendemos a importância da fé para a nossa evolução.

Aquele que crê com razão, entende, que somente através da caminhada incessante é que alcançaremos a perfeição moral, evitando os desvios do fanatismo e da ignorância.
Muita paz a todos!

(Espiritismo da Alma – conteúdo Espírita cristão com base na doutrina codificada por Kardec)

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga