Jefferson Allan36

“Amar o próximo como a si mesmo.”(cf. Mt 22,39b)

Primeiro: devemos compreender que, para Deus, cada um de nós é único, irrepetível, maravilhoso.
Esta verdade deve ser clara dentro dos nossos corações e deve tornar-se certeza.
Deus me ama e Ele me fez sua criatura, a sua imagem e semelhança… por isto é maravilhoso.
Somente este fato deveria fazer de nós as pessoas mais felizes do mundo, louvando-o sempre, sem nos cansar.
Eu, amado por Deus, sou único para Ele e para todos, jamais no mundo existiu, existe e existirá uma pessoa como eu. Porque Deus me quis filho único, amou-me de modo especial.
Somente Ele poderia fazer uma realidade similar.
Somente Ele poderia fazer uma coisa que jamais se repete.
Esta realidade jamais igual a ninguém sou eu.
Não existe no mundo alguma coisa que possa se comparar a mim, à pessoa humana.
Um computador, por exemplo, pode ter muitas capacidades do meu cérebro, mas nunca chegará por si só a amá-lo, nunca saberá amar a si mesmo e aos outros, nem poderá mostrar sentimentos como medo, surpresa, paixão como eu vivo e sinto.
Posso acrescentar ainda que Deus me deu um corpo, uma alma eterna aos Seus olhos.
Sou uma pessoa única existente no universo.
Somente eu posso ter aquela característica própria, pois ninguém poderia nem poderá ser aquela presença preciosa que sou no mundo e Porque Deus me quis filho único, amou-me de modo especial para as pessoas que encontro em minha vida.
É necessário que cada um de nós possa se dar conta desta verdade e de como sou importante para o outro…por isto o amo!
Serei o único na eternidade, porque ninguém poderá me substituir, nem mesmo no paraíso.
Eu, pela revelação, e por tudo que a Igreja nos ensina, serei uma só coisa em Cristo, mas Nele, único.
Também este é o fato pelo qual a Igreja nos dá os santos, como são Francisco ou santa Faustina, ou o beato João Paulo II.
Ela, a Igreja, sabe e confirma que somos únicos e que cada um de nós pode e deve acreditar nesta potência que Deus nos dá: realizar a maravilha que Deus colocou em mim porque me amou!
É por isto que sou levado, diria, empurrado, para dar aos outros esta maravilha que sou, amando-os como próximo.
Segundo aspecto: devo me reconhecer limitado e cheio de feridas, colocando-me humildemente na presença de Deus para que Ele possa me curar.
Parece uma contradição, oposta àquilo que antes escrevi… mas não é assim.
Compreender que sou pecador e cheio de feridas devido ao pecado original, aos meus pecados e aos pecados da minha família e sociedade, coloca-me na verdadeira posição de filho de Deus que precisa de ajuda.
Infelizmente, a cada dia e a cada instante, nós percebemos os Amar o próximo nossos limites e como nos deixamos invadir pelas tentações.
Elas nos dominam e nos levam ao pecado que nos joga na morte.
É uma experiência cotidiana que nos tira todas as forças… sobretudo, quando contamos somente com nossas capacidades sem confiar Naquele que nos criou.
Eu, na minha vida, não fui amado pelo meu pai?
Sem a ajuda de Deus nunca terei a força de amar Deus Pai que está no céu.
Minha mãe tentou me abortar?
Sempre vou sentir-me rejeitado, abandonado, não amado.
Nunca meus pais me deram um abraço, um carinho?
Nunca vou ter força para abraçar meus filhos, e cada abraço recebido, tornar-se-á para mim situação constrangedora.
Ao viver tudo isso, devo permitir ser ajudado pelos outros e, sobretudo, por Deus para me reconhecer pessoa que sabe amar e que sabe receber amor.
Como falei, é uma realidade que experimentamos em todos os instantes e que nos faz sofrer demais, chegando às vezes ao limite de não acreditar mais em mim e nas minhas capacidades e dons.
Essas duas atitudes tocam o profundo do nosso ser que é movido pela razão e sentimento como dizem os antigos padres da Igreja.
O equilíbrio entre a grandeza e felicidade da vida (ser maravilhoso aos olhos de Deus) e da morte (encontrar-me como pecador, limitado, falso) é guiado por essas duas realidades que fazem parte da essência da pessoa humana. Elas dirigem meu ser e minha intimidade e, se as duas atitudes estão equilibradas ou se trabalho a minha pessoa para equilibrá-las, elas permitem-me viver plenamente o sentido da vida e sua existência tem a força de me jogar aos outros para amá-los sem limites e sem medos.
Jamais devo permitir que prevaleça somente a razão, porque arrisco me tornar uma pessoa fria, sem sentido…somente cabeça, egoísta, insuportável para os outros e nem devo ser exclusivamente sentimento, porque arrisco ser levado por sensações irreversíveis que nunca serão apagadas como, por exemplo, a procura sem limites do sexo, dinheiro, poder ou soberba e vangloria.
O desequilíbrio dessas duas realidades podem até me levar ao suicídio ou ao desespero.
Aqui entra o nosso esforço.
Deus seguramente criará situações para me tornar seu filho, mas precisará do meu esforço no sentido de trabalhar minha razão e sentimento, num equilíbrio sereno, para aprender amar os outros, estar a seu serviço, razão que não se deixa enganar somente pelo sentimento, sentimento que não se deixa enganar exclusivamente pela razão.
Tudo isso me ajudará a caminhar dia após dia para me reconhecer, para me amar por aquilo que sou sem querer ser aquilo que não sou e me permitirá desejar amar os outros, na plenitude, sem medo de ser ferido ou machucado, mas pelo contrário, aberto para amadurecer e ajudar o outro a crescer em direção a uma vida digna e santa.
Deus espera somente isso de mim para realizar a síntese de todos os mandamentos:”amar o próximo como a si mesmo”.

(Padre Antonello)

Grande beijo no seu coração.
Bell-taróloga