
Não podemos confundir apego com amor.
Tratam-se de duas coisas bem diferentes, sendo uma o oposto da outra.
Uma coisa é o vínculo afetivo, é o amor, é o laço familiar.
Esse laço não é positivo nem negativo.
O amor é mais profundo tanto quanto mais profundo é o nosso desprendimento em relação àquilo que amamos.
Quanto mais tentamos aprisionar ou ter a posse sobre algo ou alguém, menos amamos.
E o que é apego?
Apego é, antes de tudo, uma DEPENDÊNCIA.
Vamos entender isso, para que não paire mais dúvidas.
Apego é quando deixamos de conviver com o outro e passamos a NECESSITAR do outro; PRECISAMOS do outro para nos preencher.
Sem o outro nos sentimos vazios; sem o outro parece que falta algo dentro de nós.
Isso é apego.
Não existe apego bom.
Todo apego é ruim, pois é aprisionador.
Com o apego existe uma POSSE em relação ao outro.
Existe um sentimento de que a pessoa precisa ficar conosco, de que o outro deve sempre estar ao nosso lado.
Há a sensação ilusória de que o outro nos traz felicidade, nos traz alegria.
O amor pode sentir alegria com a presença do outro, mas quem ama verdadeiramente sente-se feliz quando o outro está feliz (mesmo que esteja longe).
O apego só sente satisfação quando o outro está perto, está dentro de nossa esfera de poder, e quando o outro está longe, quem tem apego sofre, sente a perda, sente a necessidade do outro, a necessidade do outro para nos completar.
Quem precisa do outro para se completar, obviamente, não está completo.
Algo falta dentro dessa pessoa.
Ela tem alguma carência, solidão, falta, ausência.
E essa ausência sempre busca algo que a complete.
O apego, que é criado pelo ego, vem sempre como uma necessidade de uma garantia ilusória de que o outro estará sempre conosco.
Sem essa falsa segurança, a pessoa apegada fica mal, fica carente, fica sentindo que precisa do outro para se completar, para preencher seu vazio.
A pessoa apegada diz frequentemente: “Ele é minha vida.
Ele é meu tudo.
Sem ele não posso viver.
Não sei como iria seguir sem essa pessoa”.
O amor é o oposto.
O amor é livre…
O amor deixa solto…
Como diz Chico Xavier: “O amor não prende, liberta”.
O amor quer que o outro seja feliz, independente de estar conosco ou não.
Como diz Paulo de Tarso: “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1 Coríntios 13:7).
O amor aspira apenas à convivência entre duas pessoas que se querem bem.
É uma jornada que duas almas decidiram trilhar juntas, uma ajudando a outra, uma dando força para a outra; uma ensinando a outra dentro do caldeirão das adversidades da vida humana.
Na história do Rei Salomão, há uma passagem que ficou muito famosa pela sua sabedoria e pelo sentido profundo que carrega para a vida humana.
Dizem que o Rei Salomão foi um dos homens mais sábios que já existiu.
Ele era filho do Rei Davi e teria recebido o dom da sabedoria diretamente de Deus.
Conta a história que Deus apareceu para Salomão e disse:
“Pede-me o que quiseres e dar-to-ei!”.
Nesse momento, qualquer pessoa comum poderia pedir riquezas, muitas riquezas…
Poderia pedir saúde e vida longa; poderia pedir todas as condições materiais para obter o poder no mundo.
No entanto, Salomão pediu algo muito simples, ele disse: “Deus…
Dá-me agora sabedoria e conhecimento para os governar com competência”.
E como Salomão não pediu riquezas e poder…
Deus lhe deu a sabedoria.
O Rei Salomão era um espírito muito elevado e como todo espírito elevado, ele conhecia bem a verdade sobre o amor incondicional.
Conta a história que existiam duas mulheres disputando uma mesma criança, um bebê…e ninguém sabia quem era a verdadeira mãe.
Na hora do julgamento, ninguém pôde chegar a um consenso sobre qual das duas dizia a verdade, qual era a mãe da criança.
Então, na Bíblia se diz que, nesse momento, o Rei Salomão pegou a sua espada e disse que cortaria a criança ao meio, dando um pedaço da criança para uma e outro pedaço para outra.
Esse é um dos momentos mais bonitos e significativos de toda a Bíblia.
Nesse instante diz-se que uma das mulheres falou: “Não, não faça isso ao meu filho!
Ele pode ficar com esta mulher, mas por favor não o mate”.
Nesse momento, Salomão percebeu que essa mulher havia tido uma atitude muito desprendida.
Mesmo sabendo que a criança ficaria com a outra mulher, para ela o mais importante é que seu filho ficasse bem, continuasse vivo, permanecesse saudável, independente de ficar ou não junto dela.
Então, o Rei Salomão declarou que a criança deveria ser dada a esta mulher, que teve o ato de desprendimento, e não a outra mulher.
Essa sim era a verdadeira mãe…
O que essa história bíblica nos traz de ensinamento sobre o amor?
Ela traz à humanidade uma linda lição do amor verdadeiro, que é o amor incondicional.
O que fez a mãe autêntica?
Mesmo sabendo que seria separada do seu filho para sempre, ela preferiu que a criança ficasse bem com outra mulher. Muitos não sabem, mas essa é, de fato, a essência do amor verdadeiro.
Essa é a incondicionalidade do amor…que somente visa o bem estar do outro de forma totalmente desapegada.
Mesmo que o ser amado não fique conosco; mesmo que não esteja junto de nós, o importante para quem ama é que a pessoa esteja bem, esteja feliz, esteja com saúde, esteja viva e esteja em paz…
Não importa se a pessoa vai ficar comigo ou não… o que importa é que fique bem, mesmo longe de mim.
Não tem problema se nunca mais vamos ver ou ter contato com o ser que amamos; o importante para quem ama incondicionalmente é querer o bem.
O amor incondicional ama sem possuir, ama sem tentar influenciar, ama sem forçar, ama mesmo de longe.
Fazendo o bem e desejando o bem sem qualquer sensação de pertencimento, sem querer guiar, sem querer estar junto. Não importa fazer nossa vontade ou suprir nossos desejos.
A única coisa que importa é o bem estar, mesmo que para isso eu renuncie a qualquer poder sobre o ser amado.
Esse sem dúvida é o amor que nos aproxima de Deus…e que é raro na humanidade atual.
É o amor dos santos, dos anjos, dos sábios e dos mestres da Terra.
É o amor dos espíritos puros…
Todos aqueles que aspiram à felicidade suprema devem buscar dentro de si o amor incondicional, não apenas por um ou outro ser…mas por tudo e por todos.
Assim, o amor verdadeiro é sempre incondicional.
Só o amor liberta…
(Autor: Hugo Lapa)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga