Fenômeno que constituía, aparentemente, um passatempo nos salões, principalmente na França, onde pequenas mesas se movimentavam, de forma parecida com a “brincadeira do copo”, muito conhecido hoje.

É preciso dizer que a mesa não se limitava a se elevar sobre um pé para responder às questões que se lhe colocavam; ela se agitava em todos os sentidos, girava sob os dedos dos experimentadores, algumas vezes se elevava no ar, sem que se pudesse ver a força que a mantinha assim suspensa.
De outras vezes as respostas eram dadas por meio de pequenos golpes, que se ouviam no interior da madeira.
Esses fatos estranhos chamaram a atenção geral e logo a moda das mesas girantes invadiu a Europa inteira.

A mesa ensinou um novo procedimento mais rápido.
Sob suas indicações, se adaptou a uma prancheta triangular três pés munidos de rodinhas, e a um deles, se prendeu um lápis, colocou-se o aparelho sobre uma folha de papel, e o médium colocava as mãos sobre o centro dessa pequena mesa.
Via-se então o lápis traçar letras, depois frases, e logo essa prancheta escrevia com rapidez e dava mensagens.

Mais tarde ainda, se percebeu que a prancheta era de fato inútil, e que seria suficiente ao médium colocar sua mão com um lápis sobre o papel, e o Espírito a fazia agir automaticamente.
O ser misterioso, que assim respondia e interrogado sobre a sua natureza, declarou que era um Espírito ou gênio, se deu um nome e forneceu diversas informações.
Há aqui uma circunstância muito importante a notar.

“Ninguém imaginou o nome “Espíritos” como um meio de explicar os fenômenos; foi a própria entidade que revelou a palavra: “Sou um Espírito”.
O cesto, ou a prancheta, não pode ser posto em movimento senão sob a influência de certas pessoas dotadas, de uma força especial e que são os médiuns, quer dizer, intermediários entre os espíritos e os homens.
Muita gente passava seu tempo interrogando os Espíritos sobre seus problemas amorosos, ou sobre um objeto perdido, era uma farra, até que pessoas sérias, sábios, pensadores, atraídos pelo ruído que se fazia em torno desses fenômenos, resolveram estudá-los cientificamente.

É nesse momento que Allan Kardec que se interessava há trinta anos pelos fenômenos ditos do magnetismo animal, do hipnotismo e do sonambulismo, e que não via nos novos fenômenos das “mesas girantes” senão um ‘conto para dormir em pé’ devido a falta de seriedade das sessões espíritas, resolveu estudar de estudar de perto o fundamento dessas aparições, mas, longe de ser um entusiasta dessas manifestações, e absorvido por suas outras ocupações, estava a ponto de abandonar os estudos, quando lhe remeteram cinqüenta cadernos de comunicações diversas recebidas durante cinco anos e lhe pediram que as sintetizasse : assim nasceu o Livro dos Espíritos.
Na Introdução de “O Livro dos Espíritos”, Kardec relata:

“As primeiras manifestações inteligentes ocorreram por meio de mesas se levantando e batendo, com um pé, um número determinado de pancadas e respondendo, desse modo, por sim ou por não, segundo a convenção, a uma questão posta.
Até aqui, nada que convencesse seguramente os céticos, porque se poderia crer num efeito do acaso.
Obtiveram-se depois respostas mais desenvolvidas, por meio de letras do alfabeto: o objeto móvel, batendo um número de pancadas correspondente ao número de ordem de cada letra, chegava assim a formular palavras e frases que respondiam às questões propostas.

A precisão das respostas, sua correlação com a pergunta, aumentaram o espanto.
Freqüentemente, faz-se nas ciências exatas hipóteses para ter uma base de raciocínio; ora,isso não ocorreu neste caso”.
“O meio de correspondência era demorado e incômodo.

O Espírito, e isto é ainda uma circunstância digna de nota, indicou um outro método, o de adaptar um lápis a um cesto ou a um outro objeto.
Esse cesto, pousado sobre uma folha de papel, se pôs em movimento pela força oculta que faz mover as mesas.
Mas em lugar de um simples movimento regular, o lápis traça, por ele mesmo, caracteres formando palavras, frases e discursos inteiros em várias páginas, tratando das mais altas questões de filosofia, de moral, de metafísica, de psicologia, etc. e isto com tanta rapidez como se fosse escrito com a mão.”

Esse conselho foi dado simultaneamente na América, na França e em diversos países. (…)
“O cesto, ou a prancheta, não pode ser posto em movimento senão sob a influência de médiuns, quer dizer, (intermediários entre os espíritos e os homens).” (…)
“Mais tarde se reconheceu que o cesto e a prancheta, na realidade, não formavam senão um apêndice da mão, e o médium, tomando diretamente o lápis, se puseram a escrever por um impulso involuntário e quase febril”. (…)

A Experiência, enfim, fez conhecer outras variedades da faculdade mediúnica, e soube-se que, as comunicações poderiam igualmente ter lugar pela palavra, pelo ouvido, pela vista, pelo tato, etc. e mesmo pela escrita direta dos Espíritos.

(Estudos Espíritas)

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga