Conversando com um velho homem, um jovem desabafou:
– Há tanto tempo venho querendo conhecer uma garota e hoje, conseguindo falar-lhe por telefone, fiquei decepcionado.

By Jefferson Allan

– Mas por que? Indagou o velho homem.
– Eu lhe perguntei timidamente como ela era e ela, rindo, respondeu: sou verde.
– E por que a resposta o chocou?
– Ora, amigo, ela estava debochando de mim!

Ouvindo isso, o velho homem pôs-se a falar:
– Meu jovem, você não entendeu que ela estava se comparando a uma árvore.
– Árvore? Como assim?!?
– Menino, as mulheres são como as árvores:
– Elas fincam raízes no solo dos nossos corações;
– Têm paciência e capricho com o próprio crescimento;
– Seus braços são poderosos e, ao abraçá-las, nossos espíritos recebem renovadas energias;
– Elas amam e cuidam dos seus frutos, mesmo sabendo que um dia o mundo os levará para longe delas.

– Outras – aquelas que não dão frutos – oferecem sua sombra àqueles que necessitam de descanso;
– Quando açoitadas por fortes ventos da vida, elas emanam o perfume da força e da fé, acalmando-nos, por mais assustadora que seja a noite;
– Sua seiva são as lágrimas de dor ou de alegria quando em presença do machado ofensor ou do regador daqueles que as amam;
– Seus corações vão alto o suficiente para escutarem mais de perto os recados do céu;
– Elas reverdecem as florestas dos homens, as ruas das cidades, as avenidas, os acostamentos de estradas e as beiras de rios;

– Elas entendem o canto dos passarinhos e, mais do que ninguém, elas valorizam e protegem seus ninhos;
– Suportam melhor a solidão e as vicissitudes que a Vida às vezes nos impõe;
– No mundo, elas nascem em maior número para que o verde da esperança jamais empalideça.
– Meu menino, todas as mulheres são árvores, todas as mulheres são verdes.”

Ao final desse relato, refletiu o rapaz:
– Eu tenho um triste jardim no peito: nele está faltando uma árvore.
E correu para o telefone mais próximo…

(Silvia Schimdt)

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