A vida nos reserva desafios importantes para alcançarmos a felicidade.
Ela também nos oferece múltiplas possibilidades de fazê-lo.
Os desafios, embora se constituam em obstáculos que exigem muita energia, são permeados de alegrias e prazeres naturais.

Para vencê-los, ora estamos numa postura de doação, ora estamos noutra de recepção.
Quando doamos, corremos o risco de dos alienarmos de nós mesmos.
Quando recebemos, corremos idêntico risco de nos ausentarmos do mundo.
Doar e receber são atitudes diante da vida que exigem equilíbrio para não resvalarmos pela alienação ao interno ou ao externo.

A doação não deve ser um fim em si, mas um meio de conhecer a si próprio e ao mundo.
Psicologicamente, quando uma pessoa doa muito, costuma exigir muito.
Ela cria expectativas em relação ao seu próprio ato e, muitas vezes, ao comportamento de quem lhe recebe os benefícios.
O ato de doar deve ser seguido de uma preocupação em fazer crescer quem recebe o benefício, na mesma medida em que o doador se preocupa com seu autocrescimento.

É comum ver-se pessoas que passaram boa parte de suas vidas em tarefa de doação, entrando em depressão.
Às vezes, elas próprias não compreendem a causa, decepcionando-se com a vida.
Isolam-se e evitam quem possa ajudá-las.
Perdem o apetite ou mesmo passam a comer demais.

Têm o sono reduzido, quando não conseguem levantar da cama pelo seu excesso.
Lamentam-se na solidão de seus pensamentos, evitando o contato com as pessoas que mais amam.
Descuidam-se afetivamente.
Entram num sentimento de autopiedade e reclamam de Deus pelo seu estado.

Às vezes, reduzem sua mobilidade, evitando sair ou exercitar-se, pois se cansam com facilidade.
Noutras oportunidades, para vencer a fase crítica pela qual passam, agitam-se saindo muito ou buscando manter-se em atividade constante.
Não observam que perderam o interesse pelas atividades mais simples e cotidianas da vida, ficando indiferentes às ocorrências do dia-a-dia.

Por conta disso, culpam-se ou se sentem inúteis.
Simultaneamente, perdem o interesse pela atividade sexual natural e diminuem a capacidade de se concentrar.
Sentem tristeza e angústia profundas.
Algumas, porque são mais frágeis psicologicamente ou por influência obsessiva, pensam em suicídio.
Em resumo, perderam o amor-próprio e o endereço de Deus.

Viver é uma arte que exige habilidade e flexibilidade.
Nenhum ato humano deve ser definitivo e tampouco pode se fazer de uma existência o degrau mais alto para se conquistar a felicidade.
A vida deve ser vivida como se caminhássemos por uma longa estrada cujo fim a vista nunca alcança.
Quando se quer viver a vida, deve-se viver o presente com o olhar para o futuro, sem esquecer do passado para melhor compreendê-la.

Devemos sempre estar atentos aos sutis mecanismos psicológicos que estão subjacentes às nossas intenções.
O que nos parece um ato de livre vontade pode estar encobrindo uma culpa ou um outro complexo.
Um certo senso crítico aos próprios atos é sempre desejável, pois ninguém no mundo tem o completo discernimento da realidade que lhe garanta estar sempre atuando adequadamente na vida.

Quando pensamos excessivamente em circuito fechado, sem admitir a entrada de outras opiniões em nosso mundo, podemos cair no egocentrismo doentio.
O movimento contrário como forma de resolver o conflito, pode ser outro equívoco.
É preciso, antes de qualquer atitude para reverter a situação, entrar em contato com os motivos que levaram a pessoa àquele estado depressivo.

Muitos são os problemas que podem promover a chamada depressão.
Dentre eles assinalo alguns que, inevitavelmente, a maioria de nós enfrenta.
Viver num mundo extremamente competitivo sentindo-se frágil e impotente; acostumar-se à rotina sem as compensações desejadas; viver em contato com pessoas agressivas sem coragem para enfrentá-las com equilíbrio; viver sem ser amado (a); viver sob pressão profissional sem recompensas satisfatórias; não ter um sentido para a vida nem saber por onde começar; não ter uma religião que lhe responda suas questões mais íntimas; viver sendo inferiorizado por alguém e sem auto-estima para mudar a situação; lidar com doenças persistentes sem diagnóstico específico; viver em condições financeiras no limite ou abaixo dele; não resolver seus problemas e necessidades sexuais; lidar com a morte pessoal e de terceiros; administrar perdas e rejeições naturais na vida; lidar com as ingratidões e incompreensões típicas do ambiente familiar; experimentar as agruras da solidão; não aceitar as transformações e alterações físicas decorrentes da idade; não entrar em contato com suas próprias limitações.

Como é praticamente inevitável atravessar a maioria desses problemas, devemos nos prevenir antes que aconteçam.
Um dos antídotos que poderemos utilizar para isso é a vivência do Espiritismo de forma equilibrada e harmônica, sem sectarismos ou rigidez.
A consciência da imortalidade da alma e a auto-determinação do próprio destino são fundamentais para que se alcance um estado que evite a depressão.

Nenhum ser humano é uma ilha que possa sozinho resolver sua própria busca.
A conexão íntima que fazemos com Deus, com o próximo e conosco, é alavanca para uma vida feliz e harmônica.
Nossa vida deve ser vivida com entusiasmo e alegria, mesmo diante de dificuldade múltiplas.

Quem olha muito para baixo, isto é, para o negativo, esquece que dentro de si mesmo mora um sol, que é Deus.
É preciso mirar o horizonte e acertar nas estrelas.
Essas estrelas são o coração do outro que conosco convive.
Buscar acertar o coração das pessoas nos leva ao encontro com o divino em nós.

(Adenáuer Novaes – Extraído da Revista Delfos)

Sobre o Autor
Adenáuer Novaes nasceu em 3 de abril de 1955, em Acajutiba, no sertão da Bahia.
Seus pais, Hostílio Freire de Novaes e Maria Terezinha Ferraz Freire de Novaes tiveram dez filhos e ele foi a quinto.
Seu pai era militar do Exército, natural de Pernambuco e sua Mãe era Advogada, natural de Sergipe.
Ambos já falecidos.
Eles não mediram esforços na educação de seus filhos.
Formou-se 1981 em Engenharia Civil.
Concluiu o curso superior em Filosofia em 1986 e em Psicologia em 1997.
Em 1976 ingressou, mediante concurso público, no quadro de funcionários da Caixa Econômica Federal, onde trabalhou por 22 anos.
Teve seu primeiro contato com o Espiritismo na adolescência, quando frequentou reuniões do Núcleo de Militares Espíritas na Escola de Campinas.
Posteriormente, em Salvador iniciou seus estudos com o casal Rosita e Barradas.
É casado e tem três filhos. Fundou junto com outros companheiros, em 1994, um Centro Espírita em Salvador.
Trabalha como psicólogo clínico.
Pós-graduou-se em Psicologia Junguiana e ministra cursos nesta área.
É um dos diretores da Fundação Lar Harmonia, instituição filantrópica.
Escreveu vários livros sobre Psicologia e sobre Espiritismo.

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga

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