A turbulência espalhava-se por toda parte e a ignorância campeava dominadora.
A dor espezinhava as criaturas humanas, reduzindo-as a animálias mal cuidadas.
Em toda parte os preconceitos inferiores e as perversidades assinalavam a cultura vigente.

A esperança havia desaparecido nas mentes e a compaixão se desfizera nos sentimentos, substituída pela indiferença ou, muito pior, pelo desprezo e perseguição àqueles que não dispunham de recursos para o banquete da ilusão.
Glórias de um dia misturavam-se a desaires para toda a existência.
Multiplicava-se, surpreendente, a miséria econômica, filha cruel do desamor que permanecia em triunfo por toda parte, ameaçando de crimes e rebeliões contínuos os que se encontravam no poder.
Jerusalém não fugia à regra, que se tornara generalizada, de uma à outra parte do império romano.
A dominação pelas legiões voluptuosas de poder aumentava a angústia e a necessidade dos abandonados à própria má sorte.
No palácio de Herodes, o Grande, o crime confraternizava com a legislação arbitrária, enquanto o pavor ameaçava os servos e os membros do governo.
Não havia qualquer tipo de segurança ou de bem-estar, senão em breves momentos de embriaguez.
O terrível mandatário que temia perder o poder, não sendo judeu era pelo povo odiado, e, por sua vez, a todos odiava.
A sua existência vil não desfrutava de paz, em razão da psicopatologia de desconfiar de todos, matando, indiscriminadamente.
Não poupara filhos nem a nobre esposa, acreditando-se imortal físico, sempre atento a qualquer movimento que supondo ameaçador esmagava com impiedade.
É nesse clima e nessa psicosfera enferma pelo ódio que nasceu Jesus.
O Mestre incomparável fez-se um amanhecer de esperança e de alegria na terrível noite de horror.
Anunciado, desde há muito, como sendo o Vingador vitorioso que alçaria a raça que se fizera eleita à glória solar, ocultou-se numa gruta de calcário nos arredores de Belém, a fim de iluminar o mundo para que nunca mais houvesse escuridão.
A Sua trajetória na Terra ultrapassou tudo quanto se esperava, porque deu lugar à era da ternura, da confiança e da felicidade aureolada pela paz.
Misturou-se à multidão esfaimada, enferma e desprezada, criando uma nova ordem de valores e de sociedade sob o beneplácito do amor, então desconhecido.
Semeou a compaixão e a misericórdia nos corações empedernidos, dando início à cultura da fraternidade sem jaça e da alegria transcendental.
Facilmente misturava-se com o poviléu e falava o seu idioma de necessidades e sonhos, de expectativas e de paz.
Jamais se absteve de atender o infortúnio de qualquer forma que se expressasse.
Aqueles que O conheceram, que conviveram com Ele e a Sua mensagem jamais o olvidariam.
E Ele modificou a conduta terrena.
Desceu das excelsas alturas e, ao invés de apequenar-se entre as criaturas que estertoravam na agonia e nem sempre O compreendiam, cercou-as até às culminâncias da harmonia com ternura e sorrisos de amor.
Cumpriu o programa que desenhara para a Sua vilegiatura, e no momento exato, foi traído, negado e assassinado covardemente.
Mas apesar dessa circunstância ultriz voltou a semear a certeza da imortalidade, confirmando os ensinamentos apresentados anteriormente.
Realizou tudo quanto enunciou e viveu na mesma situação daqueles aos quais oferecia o amor integral.
Sendo a bondade incomum, jamais anuiu com o erro e silenciou a criminalidade, omitindo-se ante a injustiça e as aberrações.
Não coniviu com os poderosos de um dia, nem os justificou nas ações perversas que se permitiam.
Íntegro, tornou-se o modelo que pode e deve ser seguido por toda a humanidade.
Retornou à Morada excelsa mas não se afastou daqueles a quem até hoje ama.
Agora, quando mais uma vez a humanidade estertora, Ele distende as mãos de inefável caridade e o sublime verbo, recomendando a vivência do amor.
Atravessou séculos, amado e odiado, dominador e dominando conforme as paixões daqueles que se apropriaram da sua mensagem, para volver em toda a Sua pureza na doutrina da imortalidade, proclamando a paz e o perdão como recursos poderosos para promoverem o planeta a mundo de regeneração.
Não te esqueças de Jesus, que vem sendo substituído por personagens esdrúxulos num campeonato de mercado, indiferente à dor selvagem que, a quase todos, conquista e abate.
Acompanha o comportamento pessimista da sociedade ou sua exaltação pelas necessidades emocionais de serem notícia na comunicação virtual, acerca-te dos irmãos em sofrimento, conforme Ele o fez, e estarás contribuindo de maneira eficaz para a instalação do seu reino nos corações.
Não apenas o faças neste Natal, sob as vibrações da noite santa, mas ajuda com o que possas a quem encontres, e estarás realizando a tua celebração com Ele, edificando o mundo ditoso de amanhã.
(Joanna de Ângelis – Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 16 de agosto de 2017, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga