Março chega e a saudade de Herculano fica mais intensa.
Vinte e um anos se passaram!

Tanto tempo!
Parece que foi ontem: a desencarnação, a surpresa (infarto!), a multidão, a despedida do corpo físico.

As lembranças surgem carregadas de música e cores.
Foi a libertação de um grande guerreiro
que, terminada a tarefa, projetou-se no Mundo Espiritual.
Interexistente, mesmo encarnado habitava a cidade dourada de Mário Quintana (Baú de espantos).

Alegre, corajoso, otimista, lutador.
Chega feliz, nada tem a temer.
Realizou tudo que pretendia e muito mais: 84 trabalhos cujo valor foi e é reconhecido.

Reencontro o pai Herculano através da imaginação.
O lugar é lindo!
Árvores, pássaros, flores, músicas.
Tudo o que ele apreciava na Terra.

  • Pai!
    Como você está bem!
    Mais moço do que eu!

  • Larga de tolice, menina; é que você me ama!

  • Saudade, pai!
    Imensa!
    Você era a luz maior da nossa casa!
    A nossa alegria!
    A mãe “apagou” um pouco com a sua mudança para o Mundo espiritual.

  • Filha!
    Não existe morte, nem separação, ou qualquer barreira para os que se amam.
    Continuam unidos.

  • Sei, pai.
    Você foi um grande professor.
    Mas a morte impede o contacto físico.
    Saudade de ouvi-lo, abraçá-lo, escutar o barulho da máquina de escrever no seu quarto.
    Ouvir as suas histórias, as suas risadas, a conversa agradável.

O seu sapato velho produzia um ruído gostoso pela casa.
O ruído dos ventiladores amenizando o calor que você sentia.
E o “chiado” do bule de café fervendo no fogão (tomava café o dia inteiro).

Saudade de vê-lo rodeado de livros no quarto-escritório.
As minhas tardes perderam um pouco da graça, porque não posso mais trocar idéias com você.

Ah! Pai!
A morte ainda é difícil na Terra.
A separação dói muito, pai!

  • Filha!
    Que materialismo!
    Você está apegada ao corpo físico, à “energia condensada”.
    Somos espíritos, filha!
    Pensamento e vontade!
    A comunicação, mesmo no mundo material, é realizada pelo pensamento.

  • Sei de tudo isso, papai, no campo da Razão é muito fácil!
    Mas no dos sentimentos é mais difícil.
    Como a vida na terra fica deliciosa quando estamos lado a lado com os nossos queridos, a nossa família espiritual. Nossos Natais, pai!
    Os aniversários, o chá da tarde!

  • Fico feliz, querida, ao ouvir isso, porque procurei saber ser o melhor possível.
    Mas Heloisa, como dizia e repito, a minha sorte foi a de ter recebido jóias como filhos; vocês foram maravilhosos (É o que ele pensava).
    A esposa Virgínia é inigualável (é o que todos pensamos).

  • Continua o mesmo, papai.
    Educando pelo amor e convidando a “crescer” através da auto-imagem positiva.

  • E existe outro jeito, querida? Como entender o “Sois deuses e Luzes”, de Jesus?

  • Tem razão, pai.
    Mas vou lhe pedir um favor: pode me auxiliar a encontrar com você durante o sono e a lembrar do sonho?

  • Ah! Querida menina!
    Os reencontros acontecem sempre, mas, voltados para as necessidades da nossa encarnação, esquecemos ao acordar.
    É a lei!
    Lembra do capítulo de O Livro dos Espíritos sobre o sonho e o sono?

  • Claro.
    “Ás vezes desejamos acordados encontrar alguém; mas dormimos e vamos atender a outros compromissos.
    Temos como que duas vidas em uma só: a vida no Mundo físico e a do Mundo espiritual”.
    Mas se der um jeito, ajude-me a lembrar do sonho, certo?
    Precisamos da sua presença luminosa e bem humorada em nossas vidas.

  • Conte comigo. Mas quando for ficar triste lembre que hoje, se encarnado, o meu corpo físico estaria em um estado terrível.
    Agradeçamos a Lei do Amor desse Pai Justo e Misericordioso, que nos permite a expressão no corpo energético indestrutível.

  • Vou lembrar, papai.
    E das palavras da sua poesia linda sobre a morte e a vida: “Não procures no túmulo vazio, alma querida que deixou a Terra…

Hás de encontrá-lo quando num momento, vencendo a ilusão do teu conflito, possas falar-lhe pelo pensamento…”

(Autor: Heloísa Pires)

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga