
Os meses finais de quem está desencarnando.
A jornada na Terra sempre chega ao fim.
Algumas vezes é necessário que o processo da velhice, doença e morte seja acompanhada de perto por alguém.
Esta pessoa pode ser você, que terá a responsabilidade de garantir o respeito, a dignidade e o conforto físico de seu parente amado.
Acredito eu que não exista gesto mais nobre de amor.
Tenho a certeza que também não existe momento mais oportuno para o aprendizado e para a vivência espiritual.
Muitas pessoas sentem-se desconfortáveis frente à morte.
Mas, acredite, para o espírito é um momento belo e grandioso.
Este texto tem a missão de desmistificar a morte, facilitar sua vida ao lado da pessoa que se prepara para partir e te ajudar a viver plenamente o amor que existe dentro de você (sem medo e sem receio).
“A separação da alma e do corpo é dolorosa?
— Não; o corpo, freqüentemente, sofre mais durante a vida que no momento da morte; neste, a alma nada sente.
Os sofrimentos que às vezes se provam no momento da morte são um prazer para o Espírito, que vê chegar o fim do seu exílio.
No momento da morte, a alma tem, às vezes, uma aspiração ou êxtase, que lhe faz entrever o mundo para o qual regressa?
— A alma sente, muitas vezes, que se quebram os liames que a prendem ao corpo, e então emprega todos os seus esforços para os romper de uma vez.
Já parcialmente separada da matéria, vê o futuro desenrolar-se ante ela e goza por antecipação do estado de Espírito.”
Ajudar alguém nos últimos meses ou anos é uma das maiores responsabilidades que alguém pode ter.
Sob certos aspectos é bem mais difícil que criar uma criança.
A criança coleciona conquistas, o idoso ou o doente coleciona dificuldades.
Mas, porém, virão conquistas; conquistas para o espírito e para o amadurecimento pessoal.
Nesta fase os grandes ganhos não são exteriores, são interiores.
Tenha claro esta realidade: há muito aprendizado nos últimos anos de vida.
E mais, são alguns dos aprendizados mais importantes para o futuro do espírito.
Uma criança nasce e aprende a falar e a andar.
São ganhos que parecem grandes, mas que se perdem com o falecimento.
Já os aprendizados dos últimos anos são realmente centrais para o espírito.
Por exemplo: uma pessoa muito orgulhosa, ao se ver necessitada de ajuda, descobriu na humildade a paz que lhe faltou por toda a vida.
Ela dizia:
– “Meu Deus, porque não aprendi a viver assim antes?”
Não aprendeu antes, mas aprendeu quando as limitações físicas se fizeram mais fortes.
Alguém poderia dizer: “antes tarde do que nunca”.
Quem conhece a vida espiritual sabe que NUNCA é tarde para esta transformação positiva.
Esta transformação será muito importante por décadas e séculos.
Por isto, não fique tão triste com as perdas que acompanham a velhice e as doenças.
São oportunidades únicas.
São oportunidades importantíssimas.
Primeiro porque “tira de cima da pessoa” o peso da sociedade.
A sociedade é uma prisão brutal para grande parte das pessoas.
Somos orgulhosos, esta é a verdade.
São raríssimos os seres humanos que não são orgulhosos.
A doença e as limitações da idade jogam por terra grande parte das vaidades, orgulho e desejo de ser aceito (os místicos dizem: tudo desaba).
É um choque que coloca o ego da pessoa lá embaixo; algumas até deprimem.
Mas, a queda do ego é a porta aberta para a emersão do que é realmente importante para o espírito.
São bilhões de pessoas que tem na velhice e nas doenças as últimas oportunidades para realizar seu progresso espiritual.
Importante: aprenda a olhar para a pessoa amada como um espírito que dá os últimos passos e que tem as últimas oportunidades de realizar conquistas nesta vida (nesta encarnação).
O corpo perde, mas o espírito pode ganhar.
O corpo vai finalizar, mas a vida espiritual ainda é longa.
Por isto, tranquilize-se com as perdas.
Tenha serenidade para acompanhar estas perdas.
Cuide com carinho, mas treine-se para o desligamento.
Aceite cada passo que a natureza der; traga conforto e use sempre um diálogo espiritualizado para facilitar o entendimento e a superação das dificuldades.
Treine com a mensagem de Jesus: “seja feita a Sua vontade”.
Nada é perda, tudo é transformação.
Tenha paciência, porque você é apenas alguém que acompanha uma trajetória que é muito pessoal e especial – a trajetória do seu ente querido até a libertação do corpo.
Veja a morte como saudade para quem fica e liberdade para quem vai.
É uma libertação, porque chegará um momento em que os aprendizados serão pequenos; este é o momento de voltar para a vida espiritual.
As pessoas tem medo da morte, porque não confiam de fato na realidade espiritual.
A morte é dar um salto de confiança rumo a um novo nascimento, desta vez para a vida sem o corpo físico.
A morte “bem morrida” é uma morte repleta de confiança.
É caminhar para o que o corpo desconhece com a confiança de que ali está o melhor para si mesmo.
A morte é, na imensa maioria das vezes, o melhor que a pessoa pode esperar.
Mesmo uma mãe que deixa seus filhos pequenos deve se soltar e entrar em confiança: “este é o melhor caminho”.
Estamos treinados para perceber a morte como ruim, como triste, como sofrimento.
Dizemos do morto: “coitado!”
Esta ideia é fruto de uma concepção errada.
Do outro lado há, muitas vezes, uma festa.
É chegada a hora, o melhor está acontecendo, existem reencontros – porque não seria festa?
“O Espírito encontra imediatamente aqueles que conheceu na Terra e que morreram antes dele?
— Sim, segundo a afeição que tenham mantido reciprocamente.
Quase sempre eles o vêm receber na sua volta ao mundo dos Espíritos e o ajudam a se libertar das faixas da matéria. Vê também a muitos que havia perdido de vista durante a passagem pela Terra; vê os que estão na erraticidade, bem como os que se encontram encarnados, que vai visitar.”
(Allan Kardec – O Livro dos Espíritos)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga