Obaluaiê também é conhecido como Omulu, que é seu nome mais antigo e tradicional, e como Xapanã e Sapatá.
Este é considerado o orixá que contém em si mesmo a doença e a cura.
Conhece os segredos de ambos, da patologia e da cura de qualquer moléstia.

Obaluaiê, por ser o orixá das enfermidades, também carrega a cura destas mesmas epidemias.
Ele é o senhor da peste, da varíola e das doenças infecciosas.
Dizem que Obaluaiê, ou Omulu tem ainda outros nomes, mas muitos deles não podem ser falado, pois a pronúncia de um destes nomes pode acarretar em maldição para aqueles que os proferirem.
Por outro lado, a tradição afirma que este orixá detém muitos mistérios que não podem jamais ser profanados e divulgados, pois estas revelações poderiam ser arriscadas aos não-iniciados.
O dia da semana de Obaluaiê é segunda feira e sua cor é o branco e o preto alternados.
Seu sincretismo é com São Lázaro.
Obaluaiê tem seu rosto e parte de seu corpo coberto por uma camada de palha.
Ele cobre a si mesmo para esconder as feridas que a varíola causou a sua pele.
Por debaixo das roupas de palha ele possui muitas pérolas do mar, que foram dadas a ele por Iemanjá, que se solidarizou com a peculiaridade de suas chagas e quis compensá-lo por isto.
Por isso Obalualiê ostenta muitos colares de pérolas por baixo de sua roupa de ráfia.
Dizem que Obaluaiê conhece os segredos da morte e do renascimento.
Seu sofrimento lembra muito o mundo de provas e expiações que todos nós vivemos, e está associado a realidade nua e crua da vida mundana, repleta de dor, angústia, tormentos, fardos, perecimento e morte.
Suas características equivalem a uma existência de sacrifícios e percalços a fim de se libertar dos pecados cometidos.
Sua vida é um símbolo de uma existência carimbada de provações, martírios e penitências visando a purificação do espírito.
Para os espiritualistas, o fardo carregado por Obaluaiê é um efeito puro e simples da lei do karma, a lei das causas e efeitos que prega as experiências dolorosas que purgam e varrem as más ações praticadas.
Obaluaiê representa o arquétipo do curador-ferido.
Esse arquétipo revela a necessidade de se conseguir a purificação ou resolução de algo através da experiência mais dolorosa e excruciante. A ideia do curador ferido, ou seja, de que o curador precisa antes ser vitimado por um dano, uma lesão, uma chaga, um ferimento grave está presente em muitas culturas antigas.
Somente aqueles que sentiram em si mesmos a dor correspondente ao que pretendem curar é que podem desenvolver a capacidade de cura daquele mal.
É preciso ter experimentado uma moléstia para ser capaz de curá-la.
Quanto mais profunda é a ferida, maior o poder de cura.
É como se o remédio brotasse das profundezas da dor mais angustiante e fizesse emergir uma capacidade de cura latente e natural.
É como se o homem precisasse tomar o veneno, para que seu organismo criasse anti-corpos e assim produzir a cura daquele mal.
Isso ocorre também em nosso interior, o ser humano precisa viver a doença para poder libertar outras pessoas daquela mesma doença.
Neste simples adágio vemos bem claramente a sabedoria da natureza e da vida.
No caso de Obaluaiê, ele precisou ser vitimado durante por várias doenças para se tornar um exímio curador.
É como se a doença e a cura convivessem conjuntamente nele.
Ele carrega a ferida para poder curar.
Dessa forma, ao maior curador é aquele que, nesta vida e principalmente em vidas passadas, viveu intensamente todas as condições possíveis de enfermidades mais duras e ferozes, e hoje desenvolveu seu antídoto interior para todos os males que assolam os homens.
Os grandes curadores de hoje são os grandes feridos de ontem, que aprenderam com sua doença e sua consciência pôde purificar-se a ponto de desenvolver o poder de curar as graves moléstias que assolam a humanidade.
Na mitologia grega, o curador ferido é Quíron, o centauro, que foi ferido por uma flecha envenenada e graças a isso pôde obter o dom da cura.
(Autor: Hugo Lapa)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga