jefferson-allan191

Ela viera das terras distantes de Cesaréia de Filipe, na Decápole.
Era considerada impura, pois há 12 anos um fluxo sanguíneo não a deixava.
Recorrera a todos os métodos possíveis, na ânsia da cura.
Tudo inútil.
Seu mal era considerado um sinal de desventura, um castigo divino.
Após ter gasto tudo que possuía, ela resolvera buscar a próspera Cafarnaum, na esperança de encontrar um remédio ainda não experimentado, um médico ainda não consultado.
Chegou à cidade no momento em que o sublime profeta de Nazaré acabava de saltar nas brancas praias de Cafarnaum.
Pelos caminhos, ela ouvira falar daquele Homem, pela boca dos que tinham sido abençoados por duas mãos e haviam recuperado a saúde.
O povo se comprime.
Todos almejam chegar mais perto.
A figura de Jesus se destaca com sua túnica tecida sem costura, seu manto quadrangular de borlas tecidas em fios de linho.
A mulher tenta se aproximar Dele.
O coração parece lhe saltar do peito.
O que dizer-Lhe?
Como falar da sua desdita, expondo-se, em meio a tanta gente?
Ela já fora tão humilhada.
As marcas da problemática orgânica lhe denunciavam a enfermidade.
Estava descarnada, anêmica.
Ela acreditava Nele.
Parecia sentir que uma força extraordinária se desprendia Dele.
Todo Ele era grandeza.
Almejava gritar, tocá-Lo.
Isto: tocá-Lo seria suficiente para que se curasse.
Então, numa rua estreita, enquanto a multidão se adensava cada vez mais, ela aproximou-se e por trás, alongou o braço esquálido e Lhe tocou as vestes com a ponta dos dedos.
Maravilha!
O sangue estancou de imediato.
A dor se foi.
Uma sensação estranha a dominou.
Sentiu-se renovada.
Foram alguns segundos de êxtase.
Logo, a voz Dele se destacou na multidão:
Quem me tocou?
Os discípulos dizem que é impossível saber, pois todos o apertam, comprimem.
Ela se atira aos pés Dele e confessa:
– Fui eu, Senhor.
Guardava a certeza que, em tocando-Te as vestes, recuperaria a saúde.
Jesus a envolve em seu olhar e a sossega:
– Filha, vai em paz.
A fé te salvou.
Fica livre do teu mal!
Algum tempo depois, ele foi preso.
Às horas de angústia da incerteza do destino dele, se seguiu a cruel subida até à Colina da Caveira.
Sob o peso do madeiro que carrega, enfraquecido por não ter se alimentado desde a noite anterior e pelas longas horas de flagelação, ele cai.
Ela não se contém.
Burla a vigilância dos soldados e corre-Lhe ao encontro.
Com uma toalha branca, limpa-Lhe a face ensanguentada e dorida.
Quando a retira, nela estava estampado o rosto Dele, tingido pelo sangue.
Vai em paz!
Lembrar-Me-ei de ti…escuta ela em seu coração.

Antigas tradições cristãs dizem que essa mulher se chamava Serápia e que, a partir desse episódio, ficou conhecida como Verônica, que quer dizer: verdadeira imagem.
Verônica ou Berenice – que importa?
O que ressalta é o exemplo de gratidão que se permite externar.
Ela acompanha o Mestre, na sua caminhada dolorosa, afronta a soldadesca, tudo para limpar o rosto daquele que um dia a envolvera em seu olhar amoroso, desejando-lhe paz.
Ele lhe retribui o gesto, deixando impresso seu semblante na toalha alvinitente.
A recompensa da gratidão.

(Redação do Momento Espírita, com base no capítulo A mulher hemorroíssa, do livro As primícias do reino, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco)

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga