Jefferson Allan 48

Na Romênia , um homem dizia sempre a seu filho:
– Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado.
Houve, nesta época um terremoto de intensidade muito grande, que quase alisou as construções lá existentes nesta época.
Estava nesta hora este homem em uma estrada.
Ao ver o ocorrido, correu para casa e verificou que sua esposa estava bem, mas seu filho nesta hora estava na escola.

Foi imediatamente para lá, e a encontrou totalmente destruída.
Não restou, uma única parede de pé.
Tomado de uma enorme tristeza, ficou ali ouvindo, a voz feliz de seu filho e sua promessa (não cumprida): “Haja o que houver eu estarei sempre a seu lado.”

Seu coração estava apertado e sua vista apenas enxergava a destruição.
A voz de seu filho e sua promessa não cumprida, o dilaceravam.
Mentalmente percorreu inúmeras vezes o trajeto que fazia diariamente segurando sua mãozinha.
O portão (que não mais existia); o corredor… as paredes…
Aquele rostinho confiante, passava pela sala do terceiro ano, virava o corredor e o olhava ao entrar.

Até que resolveu fazer em cima dos escombros, o mesmo trajeto.
Portão, corredor, virou a direita e parou em frente ao que deveria ser a porta da sala.
E nada!
Apenas uma pilha de material destruído.
Nem ao menos um pedaço de alguma coisa que lembrasse a classe.
Olhava … tudo desolado…
E continuava a ouvir sua promessa: “Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado”

Começou a cavar com as mãos.
Nisto chegaram outros pais, que embora bem intencionados, e também desolados, tentavam afastá-lo de lá dizendo:
– Vá para casa.
Não adianta, não sobrou ninguém. Ao que ele retrucava:
– Você vai me ajudar?
Mas ninguém o ajudava, e pouco a pouco, todos se afastavam.
Chegaram os policiais, que também tentaram retirá-lo dali, pois viam que não havia chance de ter sobrado ninguém com vida.
Haviam outros locais com mais esperança. Mas este homem não esquecia sua promessa ao filho, a única coisa que dizia para as pessoas que tentavam retirá-lo de lá era:
– Você vai me ajudar?
– Mas eles também o abandonavam.
Chegaram os bombeiros, e foi a mesma coisa…
– Saia daí, não está vendo que não pode ter sobrado ninguém vivo?
Você ainda vai por em risco a vida de pessoas que queiram te ajudar, pois continuam havendo explosões e incêndios.
Ele retrucava :
– Você vai me ajudar?
– Você está cego pela dor, não enxerga mais nada.
Ou então é a raiva da desgraça.
– Você vai me ajudar?

Um a um todos se afastavam.
Ele trabalhou quase sem descanso, apenas com pequenos intervalos, mas não se afastava dali.
5, 6, 7, 8, 9, 10, 15 horas.
Já exausto, dizia a si mesmo que precisava saber se seu filho estava vivo ou morto.
Até que ao afastar uma enorme pedra, sempre chamando pelo filho, ouviu:
– Pai … estou aqui!
– Você está bem?
– Estou.
Mas com sede, fome e muito medo.
– Tem mais alguém com você?
– Sim, 14 estão comigo e estamos presos em um vão entre dois pilares.
Estamos todos bem.
Apenas se conseguia ouvir seus gritos de alegria.
– Pai, eu falei a eles: “Vocês podem ficar sossegados, pois meu pai irá nos achar.
Eles não acreditavam, mas eu dizia a toda hora…
Haja o que houver, meu pai, estará sempre a meu lado”
– Vamos lá tente sair por este buraco.
– Não Pai!
Deixe-os sair primeiro…
Eu sei; que haja o que houver, você estará me esperando!

(Desconheço a Autoria)

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga