Jefferson Allan33

Era ano de 1494, a cidade era Milão, na Itália, Leonardo da Vinci deu uns passos para trás, contemplou o mural da Ultima Ceia que estava pintando, e suspirou.
Estava completo, com exceção das figuras de Cristo e de Judas.
Onde encontrarei um semblante tão inocente e sublime que verdadeira-mente represente a Jesus?
E onde encontrarei um rosto tão endurecido pelo pecado e engano, que possa representar a Judas Iscariotes?
– refletiu ele.
Certa manhã, no coral de uma capelinha, Leonardo viu um jovem com um rosto tão inocente e sublime, que concluiu ter encontrado seu modelo para Jesus.
Durante vários dias o rapaz posou para o grande artista.
Quando a figura de Jesus ficou concluída, o jovem olhou para a pintura.
– Impressionante, não é?
– disse o rapaz.
– Como eu gostaria de ser mesmo semelhante a Ele!
– Você pode
– respondeu Leonardo
– Simplesmente siga o seu exemplo.
Mas a obra de arte não estava concluída.
Faltava ainda a figura de Judas.
Leonardo caminhou pelas ruas da cidade à procura de uma face marcada pelas linhas da amargura e do remorso.
Nenhum rosto era suficientemente depravado para servir de modelo a Judas.
Anos se passaram, e o mural continuava inacabado.
Então, certa noite, no ano de 1498, Leonardo voltava para casa quando foi abordado por um pedinte.
Ao olhar para o rosto do homem maltrapilho, viu olhos inteligentes mas anuviados pelo remorso, e uma fronte marcada por anos de iniquidade.
Acompanhe-me
– disse Leonardo, com agitação.
Vou dar-lhe alimento e cama por esta noite.
Preciso pintar uma figura tendo-o como modelo.
Pago bem.
Na manhã seguinte, o rude e maltrapilho mendigo sentou-se, enquanto Leonardo lhe pintava a face na forma de Judas. Terminado o trabalho, o mendigo contemplou a pintura pronta.
Uma lágrima lhe rolou pelo rosto.
Não me reconhece?
– Chorou ele.
– Sou a mesma pessoa que serviu de modelo para seu Cristo, anos atrás.
Quem dera que eu tivesse seguido o seu conselho…

(desconheço a Autoria)

Grande Beijo
Bell-Taróloga