
Por definição, a palavra “cremar” significa incinerar, destruir pelo fogo, especialmente cadáveres humanos, visando sua redução a ossos.
Aceita por alguns como opção de um funeral, aprovada ou recusada por diversas religiões como um ato anti cristão, quer por fatores éticos, sociais e/ou culturais, tanto a realização da cremação do corpo após o desencarne como de ossadas vem aumentando, sendo considerados procedimentos comuns nos países reconhecidos como Cristãos.
Para o Espiritismo, o processo de desencarne é uma passagem nos ciclos sucessivos das reencarnações, e as preces podem auxiliar o espírito nesse processo, que tem a sua duração e grau de perturbação variável.
Cada religião apresenta a sua visão de morte, e o Espiritismo segue os elementos da tradição cristã ecumênica, que permeiam nossa cultura brasileira latino americana.
Tudo aquilo que se fizer, seja um sepultamento específico, seja a celebração de uma missa de sétimo dia, sempre fará parte da tradição cultural das pessoas, já que, quanto ao sepultamento, não existe nenhum dogma relacionado a rituais específicos e às manifestações posteriores.
Considerando que o Espírito possa ainda estar próximo ao corpo, podendo até, dependendo do seu nível de esclarecimento, estar acompanhando o seu sepultamento, basta o respeito ao cadáver.
Tal postura é universalmente adotada por todas as sociedades, pois todas elas o têm na forma de respeito ao corpo do falecido, o que é o bastante para o Espiritismo.
Mas, se esse nível for muito limitado, isso pode causar perturbação ao espírito ao assistir seu próprio sepultamento. Dessa forma, todo o respeito possível ao cadáver é sempre positivo, e as preces, tanto de familiares como de amigos ou anônimos que vibrem pelo seu bem estar, poderão auxiliar nesse desequilíbrio.
No livro “O Consolador” – Pergunta 151, – “O espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos”?
Através de Chico Xavier, Emmanuel responde que:
– “Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando, por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o “tônus vital”, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluídos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material”.
Em “Lições de Sabedoria” – CAP. IV – Corpo na Transição, suicídio e reencarnação”, Dra. Marlene Nobre pergunta a Chico Xavier, se o espírito sente os efeitos da cremação do corpo físico, e quantas horas devemos esperar para efetuar a cremação, e Chico Xavier responde:
– “O abnegado benfeitor Emmanuel, em outra ocasião, questionado sobre o assunto, afirmou que o tempo ideal para a cremação do corpo, desocupado pelo inquilino ou pelo espírito que o habitava é de 72 horas, de vez que, além da chamada morte clínica, o espírito liberado, em muitos casos, ainda está em processo de mudança, retirando aos poucos os remanescentes da sua própria desencarnação”.
No caso em exame, será importante que o corpo seja mantido em câmara frigorífica, evitando qualquer indício de decomposição.
Em “A Vida no outro Mundo” – Cairbar Schutel, baseado nos ensinamentos do Espiritismo, mostra que: “A alma é o Espírito encarnado, que a extinção da vida orgânica acarreta a separação do Espírito em consequência do rompimento do laço fluídico que o une ao corpo, mas essa separação não é brusca.
O fluido perispiritual, só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, e assim a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado às moléculas do corpo.
A sensação dolorosa da alma por ocasião da morte está na razão direta da soma de pontos de contacto existentes entre o corpo e o perispírito, e por conseguinte também da maior a menor dificuldade que apresenta o rompimento”. Portanto, não é preciso dizer que conforme as circunstâncias, a morte pode ser mais ou menos penosa.
Não dispomos de outras recomendações precisas, ou informações absolutas sobre os cuidados a serem tomados junto ao cadáver a ser cremado, ou quanto à recusa ou aceitação desse processo, além das aqui apresentadas.
O Espiritismo é o único que nos descreve, através do conhecimento das leis que regem as relações entre o Espírito e a matéria, o fenômeno fisiológico da separação entre o Espírito e corpo.
Para o Espiritismo não existe nenhuma objeção à doação de órgãos, necropsia ou até à própria cremação.
Assim todos precisam fazer as suas escolhas baseados nesse e nos seus próprios conhecimentos, e na dúvida, consultar alguém mais experiente dividindo informações sobre a Doutrina Espírita, tomando uma decisão com a tranquilidade que isso possa trazer, lembrando que no desprendimento, a bagagem moral e a consciência tranquila, é o mais importante.
Os nobres amigos Índio Flexa Dourada e Dr. Bezerra de Menezes explicam:
– “Espalhem sempre que a cremação não é vista com bons olhos no Mundo Espiritual. Mesmo quando o Espírito já deixou totalmente o vaso físico, as lembranças ficam registradas na memória espiritual.
Deixemos a Terra consumir aquilo que ela trouxe sem agressões.
Tudo que radicalize, tudo que afronte a vestidura humana, interfere no equilíbrio espiritual.
Tratemos bem de nosso vaso corpóreo.
Façamos dele a morada de Deus.
Imaginem o acidente de um caminhão em alta velocidade, batendo contra uma muralha.
A cremação é algumas vezes pior que isso”.
Sebastião Camargo complementa:
– “Se você não tem a lucidez para fazer isso é melhor não arriscar porque um dos espíritos mais lúcidos e conscientes no Brasil, no último século, que eu conheço, Francisco Cândido Xavier, quando foi para outras dimensões, disse essas palavras: ‘não toque no meu corpo’, ou seja, devolva-o a natureza conforme ela me entregou com tudo o que pude gravar nele para as próximas gerações”.
A fenomenologia do processo (desencarnação) é processada a partir de condições físico/energéticas naturais e irreversíveis.
“Sentir” esse processo em quaisquer circunstâncias vai depender do maior ou menor apego ao sensorial que o aprendizado no corpo exerce.
Portanto, sem o corpo o espírito sente a partir da impressão mental.
Adquirir a convicção do prosseguir na vida em outra dimensão, “deixando” uma e vestindo outra roupa é preparar-se mentalmente para evitar aspectos “desagradáveis” do processo natural.
(Letra Espírita)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga